Quarta-Feira, 25 de Outubro de 2017 às 18:31

Suspeito de matar travesti alega legítima defesa e se entrega à polícia

Servidor público Reginaldo Ferreira da Silva, 58 anos, principal suspeito de matar a facadas a travesti venezuelana Sthephany Tablante, de 27 anos, se entregou à Polícia Civil nesta quarta-feira (25), em Boa Vista. Em razão de estar fora do flagrante, ele foi ouvido e liberado.

De acordo com o titular da Delegacia Geral de Homicídio (DGH), a vítima foi morta com oito facadas profundas nas costas e foram identificados outros 12 cortes no corpo dela.

O assassinato ocorreu no domingo (22), próximo a Orla Taumanan, no Centro da capital.

Em depoimento o suspeito alegou ter sido vítima de uma tentativa de assalto e disse que agiu em legítima defesa. Porém, uma testemunha do crime disse que Sthephany foi morta em razão de um desentendimento com Silva, que teria se recusado a pagar por um programa sexual.

"Como as versões foram bem divergentes a polícia continua as investigações para descobrir o que realmente aconteceu", afirmou Camapum.

O delegado disse que, por enquanto, não vai pedir a prisão preventiva pois é necessário esclarecer o que ocorreu.

"Mesmo confirmada a versão do interrogado [de que agiu em legítima defesa], ele será indiciado pelo homicídio da vítima, pois foi nítido o excesso de facadas nas costas em uma suposta legítima defesa", afirmou o delegado.

Depoimentos contraditórios

Conforme Camapum, uma colega de Sthephany viu o assassinato. Ela disse que a vítima se desentendeu com um cliente por ele se recusar a pagar pelo serviço sexual.

Houve discussão, a vítima se apossou da chave do veículo do suposto cliente e ele partiu com uma faca para cima da vítima, informou o delegado.

Já na versão do suspeito ele alega que estava guardando seu carro na garagem quando foi abordado pela vítima e um suposto comparsa querendo que a vítima os levassem de carro dali.

Camapum disse que o suspeito se recusou e com isso foi agredido com socos.

"O interrogado reagiu, deu um golpe nos peitos da vítima, que deixou cair uma faca da cintura e, então, o interrogado se apoderou da faca e esfaqueou a vítima, provocando a fuga do outro suposto infrator", informou o delegado.

A colega da vítima, segundo a DGH, ajudou na identificação do suspeito por meio de fotografia. Outras testemunhas devem ser ouvidas nos próximos dias.

Corpo foi transladado

O corpo da travesti foi transladado na noite de terça-feira (25) para a Ciudad Bolívar, capital do estado venezuelano de Bolívar, distante 671 Km de Boa Vista, informou o presidente do Grupo Diversidade, Sebastião Diniz.

A liberação do corpo da travesti do Instituto Médio Legal (IML) foi feita pela mãe da vítima.

"Nos organizamos e conseguimos trazer a mãe e dela para fazer a liberação. Com o apoio de algumas pessoas conseguimos fazer o procedimento no corpo para que pudesse seguir viagem para a cidade dela. Estamos acompanhando todo o caso", reforçou Diniz.

Tag's: Travesti, crime, facadas

Fonte: G1

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