Segunda-Feira, 24 de Setembro de 2018 às 17:29

Projeto social desenvolve atividades em prol de refugiados

 O trabalho do projeto social "Engenheiros Sem Fronteiras" - ESF - Núcleo Boa Vista está em pleno desenvolvimento. Em menos de quatro meses implantando em Roraima, a organização não governamental (ONG) já atua na elaboração de quatro projetos arquitetônicos para construção e ampliação de abrigos para refugiados.

 

O objetivo do núcleo é fornecer auxílio técnico e garantir melhorias sociais à população carente ou em situação de risco do Estado, promovendo o crescimento sustentável e incentivando a participação de profissionais da construção civil em ações sociais. O ESF foi implantado em julho e conta com mais de 40 voluntários.

 

Segundo o vice-diretor geral do núcleo, engenheiro civil e arquiteto Rodrigo Ávila, a primeira ação da ONG foi no acampamento da Fraternidade sem Fronteiras no Senador Hélio Campos, onde a coordenação tinha recebido, por meio de doações, equipamentos para uma cozinha, mas não sabia montar e adequar os objetos de acordo com o espaço disponível.

 

"Nós providenciamos o levantamento das instalações e preparamos o espaço para receber os equipamentos de forma apropriada. Além disso, realizamos levantamentos para a chegada da Operação Acolhida ao abrigo, que é executada pelo Exército Brasileiro e precisava de um ambiente em que pudesse desenvolver o trabalho", informou.

 

O ESF também está atuando com projetos referentes à construção de um roupeiro social para pessoas carentes, idealizado pela Cáritas Brasileira, em que a comercialização dos itens será feita por meio de uma moeda social. Cáritas é uma rede solidária composta por mais de 15 mil agentes, que desenvolvem ações sociais em 165 países.

 

"Neste mesmo contexto, estamos elaborando uma planta com salas de defesa pessoal, música, línguas estrangeiras e outras atividades que serão oferecidas de forma gratuita à população carente", detalhou.

 

 

MAIS PROJETOS

 

Outra iniciativa do 'Engenheiros Sem Fronteiras' é voltada à organização, ampliação e melhoramento de casas de pessoas quem vivem em alto índice de vulnerabilidade social.

 

"A ideia é unir forças de toda a classe técnica [CREA-RR, CAU-RR, IAB-RR, AREA, UFRR e outras), para proporcionar assistência técnica a todas as entidades que tenham missão semelhante à nossa", explicou Ávila.

 

Há ainda em andamento um trabalho para o Centro de Reciclagem de Papel e Plástico - Cooperativa Terra Viva, com o intuito de melhorar o serviço prestado por uma associação de catadores, pois eles precisam exportar o material reciclável. Por não terem equipamentos adequados, a proposta do ESF é fazer com que todos os itens recolhidos sejam reaproveitados em Roraima.

 

"Estamos em várias frentes, principalmente ajudando entidades que atuam com trabalhos sociais voltados a pessoas carentes ou em risco social. Entre os projetos, temos ainda um relacionado à construção de uma escola comunitária no Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo e também iniciamos uma conversa para a implantação de hortas comunitárias", pontuou.

 

 

BRASILEIROS E VENEZUELANOS

 

O ESF reúne profissionais de diversas áreas de atuação com foco em engenheiros e arquitetos urbanistas, visto que a proposta é promover mudanças capazes de melhorar a realidade do país. A missão é promover o desenvolvimento humano e sustentável por meio da engenharia.

 

"Em Boa Vista, vamos trabalhar a Técnica Aplicada para o Bem Maior [TABEM], que busca auxiliar a população carente, instituições sem fins lucrativos ou de filantropia através do fornecimento de conhecimento técnico de engenharia, arquitetura e urbanismo, com base nos pilares do altruísmo, respeito, ética e trabalho em equipe", informou.

 

Ávila acrescentou que uma das iniciativas em regime de urgência que estão sendo elaboradas pelo 'Engenheiros Sem Fronteiras' será implantada no Abrigo da Consolata, no bairro São Vicente, onde serão construídos uma cozinha industrial, banheiro comunitário, lavanderia coletiva e um consultório odontológico.

 

"Nosso trabalho não se restringe ao imigrante, mas abrange toda a população carente de Roraima. Portanto, todos os projetos estão sendo executados pensando no bem-estar dos refugiados, garantindo espaço para acolhimento, refeição e demais atividades, assim como para os brasileiros necessitados, que também contam com esse apoio", enfatizou o vice-diretor do ESF.

 

Para a coordenadora do projeto social "Mexendo a Panela", Áurea Cruz, a ONG 'Engenheiros Sem Fronteiras' veio agregar conhecimento técnico aos trabalhos voluntários da Igreja Consolata, sendo de fundamental importância o acompanhamento de profissionais qualificados, para idealização e execução dos projetos estruturais.

 

"Contarmos com esses profissionais nos garante um serviço de segurança e responsável. Tínhamos a ideia, mas precisávamos de um pontapé inicial e o ESF veio ao encontro de nossas necessidades. A cozinha industrial, por exemplo, vai voltar a oferecer duas mil refeições e o consultório médico vai atender venezuelanos e brasileiros. Trabalhamos para pessoas e não para nacionalidades", declarou.

 

 

'ENGENHEIROS SEM FRONTEIRAS'

 

A ONG 'Engenheiros Sem Fronteiras' surgiu na França nos anos 1980. No ano seguinte, a ideia se espalhou e, nos anos 1990, começou a atuar na Espanha, Itália, Canadá e Reino Unido.

 

No Brasil, a iniciativa chegou em 2010, com a fundação do primeiro núcleo, em Viçosa, em Minas Gerais. Hoje, o país conta com mais de 60 núcleos espalhados por diversas cidades, somando mais de 1,5 mil voluntários.

 

"O projeto foi criado com o intuito de estimular a troca de ideias entre as diversas instituições parceiras e conectar os profissionais da construção civil para contribuir com a criação de uma nova geração de engenheiros e arquitetos, mais preocupada com as causas sociais e mais atuante no cenário mundial", destacou o vice-diretor.

 

O projeto social é independente, não associado a qualquer partido ou estado e desenvolve projetos baseados em engenharia com finalidade social.

 

"Nosso objetivo principal é a melhoria da qualidade de vida das comunidades em vulnerabilidade social, contribuindo para que os objetivos de desenvolvimento sustentável [ODS] sejam alcançados."

 

Ávila informou que para isso os voluntários desenvolvem projetos em educação, gestão e empreendedorismo, infraestrutura, sustentabilidade e engajamento social.

 

"Entre as primeiras atividades do grupo, estão a elaboração de um projeto arquitetônico para o Centro de Reciclagem de Papel e Plástico - Cooperativa Terra Viva", completou.

 

 

 

 

VOLUNTÁRIOS

 

Os profissionais interessados em fazer parte do projeto social 'Engenheiros Sem Fronteiras' podem entrar em contato com o diretor de RH, Pablo Diogo, pelo telefone (95) 98123-1226 ou pelo e-mail [email protected] Além do vice-diretor geral, Rodrigo Ávila, pelo número (95) 99112-6832 e do diretor geral da entidade, Frederico Leitão, pelo (95) 99157-6267.

 

"Queremos reunir agentes de mudança aliados a grandes parceiros, independentemente da qualificação ou área em que atuam. Isso para que nosso trabalho chegue mais longe e atinja o maior número de pessoas possível que necessitam de mudanças sociais, seja em seu ambiente escolar, de trabalho ou mesmo em sua casa", ressaltou o vice-diretor geral do núcleo Boa Vista.

Tag's: PROJETO SOCIAL, REFUGIADOS, RORAIMA

Fonte: Roraima em tempo

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