Domingo, 22 de Outubro de 2017 às 20:36 - Atualizado em Segunda-Feira, 23 de Outubro de 2017 às 02:07

Ex-PM Felipe Quadros é condenado a 81 anos de prisão

O ex-policial militar Felipe Quadros foi condenado a 81 anos 9 meses 15 dias anos de prisão durante júri popular nesta quinta-feira (19), em Boa Vista. Ele não compareceu ao julgamento que durou mais de 12 horas.

Ele foi condenado por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e que dificultou a defesa das vítimas Jannyele Vicencia Filgueira Bezerra, Eliézio Oliveira Bezerra e Ernani Rodrigues de Oliveira.

A condenação inclui ainda a tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e que dificultou a defesa da vítima Levino Alves Ferreira. Os crimes foram em novembro de 2015.

Quadros deve cumprir a pena em regime fechado. Ele continuará preso na Cadeia Pública de Boa Vista até a Vara de Execução Penal definir onde cumprirá a sentença.

Os defensores públicos do caso informaram que vão recorrer da condenação. Como o réu já está preso, restam 79 anos 10 meses 4 dias da condenação para cumprir. Conforme o Ministério Público, pela lei, ele só pode ficar preso em regime fechado por 30 anos.

Durante o júri foram ouvidas Nilra Jane, mãe e esposa de Jannyele e Eliézio, e Ellijane Bezerra, a outra filha dela que estava em casa no dia do crime; o filho do empresário e o vizinho dele que sobreviveu aos tiros.

Foram exibidos ainda vídeos com os depoimentos da namorada de Quadros à época Surinami Bastos Mendes; da empregada do empresário e do próprio Felipe Quadros, que admitiu os crimes e contou em detalhes como tudo ocorreu.

Quadros disse que matou Eliézio e Jannyele para que eles deixassem de incentivar que a ex-namorada o denunciasse por agressão. Cada uma das vítimas foi morta com quatro tiros.

O empresário Ernani foi morto com três tiros. O ex-PM disse que o matou em razão de uma dívida de R$ 550 referente ao reparo de carro que o réu alugou e bateu. Ele também contou que atirou em Levino porque ele tentou tomar a arma da mãe dele.

A pistola usada pelo réu era uma pistola .40 da Polícia Militar. Ele disse ter comprado 22 munições. Após os assassinatos, Quadros a jogou no rio e a arma só foi encontrada meses depois.

Na defesa do acusado, o defensor público José Rocelito, chegou a argumentar que Quadros tem problema mental, porém não apresentou laudo que comprovasse a afirmação. Além disso, o réu passou por duas avalições que não apontaram problema algum.

A defesa ainda pediu a desclassificação da tentativa de homicídio contra Levindo para lesão corporal, alegando que Quadros não matou o vizinho de Ernani porque não quis.

Na argumentação de Rocelito, para o crime ser considerado tentativa de homicídio, o ex-PM teria que ser impedido de cometer o assassinato por algum motivo alheio à sua vontade. “Ele optou por não matar”, disse.

Na denúncia, o Ministério Público disse que o acusado atuou com requintes de crueldade. Mas, a defesa afirmou que os laudos cadávericos não apontaram que as mortes foram causadas por meio cruel.

No julgamento, os jurados acataram todas as alegações do MP e recusaram as teses da Defensoria Pública.

O júri do ex-PM foi presidido pela juíza Lana Leitão e ocorreu no Fórum Criminal Ministro Evandro Lins e Silva, no Caranã, zona Oeste de Boa Vista.

A defesa de Quadros foi feita pelos defensores públicos Frederico Encarnação e José Rocelito. O promotor do caso foi André Nova.

'Esperava pena maior', diz mãe e mulher de vítimas

A professora Nilra Jane disse que esperava uma pena maior para Felipe Quadros. No dia dos crimes, ela estava em casa com o esposo Eliézio e com a filha Jannyele. Durante depoimento no júri, ela afirmou que desejava pena máxima ao acusado.

"Espero que ele cumpra essa pena na penitenciária agrícola", afirmou ela logo após a leitura da sentença.

Os familiares do empresário Ernani não quiseram comentar o resultado do júri.

Voto dos jurados

Nos julgamentos dos quesitos apresentados sobre os três homicídios, os jurados confirmaram que houve crimes e que Quadros foi responsável por eles.

Eles votaram pela condenação do réu e consideraram que os homicídios foram praticados por motivo torpe, praticado por meio cruel, causou sofrimento intenso e desnecessários às vítimas e que foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas.

No caso da tentativa de homicídio, os jurados atestaram que Quadros disparou contra a vítima e teve a intenção de matar. Além disso afirmara que Levino não teve como se defender.

Caso

No dia 9 de novembro de 2015, armado com uma pistola da Polícia Militar, Felipe Quadros matou Jannyele e o pai dela, Eliézio Oliveira Bezerra. O crime ocorreu na casa das vítimas.

Quadros seguiu então de carro para o bairro Caimbé onde matou o empresário Ernani Rodrigues de Oliveira. Durante a ação, o vizinho dele, Levino Ferreira também foi baleado, mas não morreu.

Após os crimes, o ex-PM fugiu e se apresentou à polícia 12 horas depois. Ele ficou preso no Comando de Policiamento da Capital e depois foi transferido para a Cadeia Pública.

Segundo Polícia Civil informou na época, o alvo do crime era uma ex-namorada de Quadros pela qual ele era 'obcecado'. Um áudio divulgado na época mostra um momento em que o então policial ameaçava a mulher.

Na época dos crimes, Quadros afirmou à polícia que pai e filha davam apoio à ex-namorada dele. O motivo do assassinato do empresário não foi esclarecido por ele.

Durante os homicídios, a namorada de Quadros à época, Surinami Bastos Mendes, estava no veículo que o réu dirigia. Ela chegou a ser presa, mas foi liberada.

Tag's: Crime, condenação, ex policial

Fonte: G1

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