Quarta-Feira, 12 de Setembro de 2018 às 18:10

'Eu e meu filho passamos até três dias sem comer', diz imigrante

 Cerca de dez abrigos foram montados nos últimos meses para atender a demanda de venezuelanos que chegam todos os dias a Roraima. Mesmo com essas estruturas, ainda há muitos imigrantes vivendo em condições precárias nas ruas de Boa Vista.

 

Nas imediações do Terminal Rodoviário Internacional José Amador de Oliveira - Baton, localizado no bairro São Vicente, Zona Sul da capital, estima-se que há pelo menos 600 imigrantes na localidade. Mais de mil já foram retirados dessa região, há alguns meses, e levados para abrigos em Boa Vista.

 

O local tinha ficado durante muito tempo sem nenhum estrangeiro, mas a realidade mudou recentemente. Há cinco meses em Boa Vista, a venezuelana Lizabeth Marquez, de 40 anos, relatou que mora em frente à rodoviária porque não tem para onde ir nem condições financeiras de pagar aluguel de um apartamento.

 

"A situação está muito difícil. Eu e meu filho passamos até três dias sem comer nada. Sem trabalho, vivemos de doações de pessoas que, às vezes, trazem algum tipo de alimento, mas nem sempre temos essa sorte", lamentou Lizabeth, acrescentando que busca emprego na área de serviços gerais.

 

Ela comentou ainda que já tentou em pelo menos três abrigos de Boa Vista residir com o filho, mas foi informada pelos administradores que os locais estão superlotados e que não há vagas disponíveis. A imigrante disse que decidiu vir para Roraima porque na Venezuela está faltando tudo nos supermercados e o pouco que tem sempre acaba rápido.

 

"Não tem comida, não tem remédios e ninguém tem dinheiro suficiente para conseguir comprar porque os preços são muito altos. Eu sofro de uma doença e tenho de tomar três tipos de remédios diferentes para amenizar a dor e combater inflamação", afirmou.

 

Ela lembrou que ao chegar à capital teve a mala com todos os pertences, inclusive, documentos pessoais, levada por bandidos. "Espero que nos ajude a sair dessa situação, pois na Venezuela está pior do que aqui", afirmou.

 

Vivendo na mesma localidade que Lizabeth, a venezuelana Mirian Lopes, de 53 anos, passa também por dificuldades. Ela veio há quatro meses e ainda não conseguiu emprego de cabeleireira ou de serviços gerais, trabalhos que executava no país vizinho antes de ser instalada a crise econômica e política.

 

"Ninguém está nos ajudando. Só algumas pessoas passam por aqui, mas não fazem nada para tirar a gente dessa situação. Nem nos abrigos querem nos aceitar porque estão cheios", desabafou, ressaltando que militares do Exército têm comparecido ao local durante a noite para fazer a contagem de quantos imigrantes vivem na localidade.

Tag's: FILHO, FOME, IMIGRANTE

Fonte: Roraima em tempo

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