Domingo, 29 de Outubro de 2017 às 23:06 - Atualizado em Terça-Feira, 31 de Outubro de 2017 às 03:50

"É possível! “diz estudante de escola pública que passou em Direito e Medicina

Thainá Lobato, 18 anos, virou exemplo na escola onde cursou todo o Ensino Médio. O motivo: ter passado em todas as universidades públicas de Belém, em cursos extremamente concorridos e na primeira vez em que fez o Enem. Direito na Universidade Federal do Pará (UFPA), Medicina Veterinária na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e Medicina na Universidade Estadual do Pará (UEPA) foram os trunfos de da jovem, que até hoje comemora o sucesso que alcançou.

“As pessoas que vem da escola pública sofrem muito preconceito. Tem gente que acha que não é possível passar em cursos concorridos, mas é. A escola não é responsável sozinha por nossa aprovação. O aluno precisa correr atrás, se dedicar e acreditar. Eu sempre me esforcei muito para que hoje meu sonho tenha se tornado realidade”, contou.

Ela confidencia que um de seus maiores estímulos durante todo esse processo, era a realização de dois sonhos. “Desde criança tenho vontade de me tornar policial, ser delegada. Então eu já sabia o que eu queria, precisava passar em Direito. O segundo é conseguir um dia dar uma casa para minha mãe. Nossa família é pobre, com poucas condições e por esse motivo me dediquei muito. Estudava 12 horas por dia para hoje poder estar aqui e espero me formar e um dia conseguir dar esse presente para minha mãe”, confidencia.

A rotina da jovem durante todo o ano de 2016 se resumiu aos estudos. De manhã era na Escola Estadual Albanízia de Oliveira Lima, localizada no bairro do Marco; a tarde, de 14h30 às 18h30 estudando em casa e de 20h às 22h, o estudo continuava. “Fazia todos os dias isso, com a diferença que no final de semana eu estudava mais para a prova de redação. Tive uma ajuda maravilhosa na escola, da professora Érica Negrão. Ela me ajudou muito, me orientou como eu deveria estudar, em que horários, as matérias... Agradeço muito a ela que foi uma grande incentivadora. Claro que tive ajuda de outros professores da escola, mas ela virou minha amiga e me ajudou muito do início ao fim”, relembrou.

Hoje, Thainá é uma referência dentro da Escola onde estudou, inclusive nesta segunda-feira (30), participou de um evento na instituição. “Realizaram uma palestra para motivar os alunos, falar do psicológico e tentar deixa-los mais tranquilos para a prova. Eu contei minha experiência, falei um pouco sobre meus estudos e os incentivei. Não é porque somos ou viemos de escola pública que somos menos que os outros, todo mundo pode conquistar uma boa nota no Enem. É possível, mas tem que se dedicar”, contou a jovem.

Indagada sobre o porquê preferiu o Direito a Medicina, ela respondeu rapidamente. “Fiz apenas para testar, não era o que eu queria. Algumas pessoas me chamaram de burra porque segundo eles em Medicina eu teria ganhos melhores depois de formada, mas eu vou fazer o que meu coração quer. Estou cursando Direito e estou muito feliz com o que escolhi para minha vida”, complementou.

Números – Thainá atingiu 740 pontos no total da prova do Enem, na redação, sua média foi 980 dos 1000 totais da prova e sempre mais de 600 em todas as disciplinas. “As vezes as pessoas focam muito na redação ou em matérias específicas e esquecem o resto. O ideal é que você consiga manter o nível em todas as disciplinas. Claro que a nota da redação foi maravilhosa, mas você precisa ir bem em todas”, explicou.

Mas, o que ela fez para obter uma nota tão acima da média em redação? Perguntada se estudou em algum cursinho extra, ela responde: não! “Sempre estudei muito em casa, lia muito, escrevia bastante, procurava dados estatísticos e sempre fazia as redações da escola, conversava com a professora e me dedicava. O segredo é acreditar e se dedicar”.

Tag's: Vestibular, aluna, direito, medicina

Fonte: G1

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