Segunda-Feira, 08 de Outubro de 2018 às 17:37

Estrada da morte já registra 13 óbitos em 2018

 “Depois da BR-319, a AM-10 é a pior estrada do Brasil”, esse é o relato do taxista Thiago Melo, de 29 anos, que trabalha há dois anos se arriscando pela rodovia que liga Manaus aos municípios de Rio Preto da Eva e Itacoatiara.

 

A estrada é considerada pelos condutores uma das mais perigosas do país. Um levantamento feito por meio de publicações do EM TEMPO aponta que, de janeiro a setembro deste ano, 13 pessoas morreram em acidentes de trânsito na via.

 

Com o total de 265 quilômetros de extensão, a rodovia exige muita atenção de quem trafega por ela. Pouca sinalização, muitas curvas e falta de manutenção dão a receita para muitas tragédias registradas na via.

 

O microempresário Hermínio da Silva, de 62 anos, fala que é um desafio percorrer a estada. “Dirijo duas vezes por semana pela AM-010, tanto de dia, quanto de noite. Sempre faço o mesmo trajeto, saio do quilômetro 145, onde eu moro e tenho meus estabelecimentos. Venho até Manaus para distribuir produtos, repor e buscar mercadorias", explicou Hermínio da Silva, que é proprietário de uma granja e de uma padaria.

 

A principal reclamação do microempresário é a mesma de todos os motoristas entrevistados nessa reportagem: o péssimo serviço prestado pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra), no que diz respeito a manutenção da estrada.

 

“São obras incompletas. Nunca cobrem todos os buracos, fazem uma etapa e parecem esquecer do restante. Não é um serviço muito bom, porque, depois de no máximo quatro meses, os buracos retornam novamente, devido à chuva e a grande movimentação de caminhão que escoam a produção rural da região”, disse Silva.


Para um morador de Itacoatiara, o servidor público Francisco Oliveira, de 60 anos, as obras melhoraram o tráfego na via, mas o que preocupa é a qualidade dos trabalhos realizados na via.

 

“Sabemos que no período chuvoso essa pavimentação não padronizada e de má qualidade deve se deteriorar com facilidade”, disse Oliveira, que ainda relatou sobre o receio de dirigir pela estrada, que não tem sinalização adequada. “É uma via estreita e com muitas curvas, isso acaba contribuindo para os acidentes. Por esse fato, a atenção deve ser redobrada, porém o risco é muito alto, devido à existência dos condutores imprudentes.

 

 

Acidentes fatais

 

No dia 29 de setembro deste ano, seis pessoas morreram em um grave acidente ocorrido no quilômetro 175, nas proximidades da Vila de Lindoia.

 

Segundo informações da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), um ônibus de uma empresa privada colidiu com um carro de passeio, modelo Prisma de cor azul, que vinha no sentido contrário da via, após o pneu estourar.

 

Cinco das vítimas fatais eram ocupantes do táxi. O motorista do ônibus morreu após receber atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) da Vila de Lindoia.

 

As causas do acidente deverão ser divulgadas assim que concluídos os trabalhos da equipe do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), que também foi encaminhada ao local do acidente.

 

Outro acidente entre um táxi e um micro-ônibus, no quilômetro 102 da rodovia, terminou com três pessoas mortas, no dia 10 de junho. A fatalidade aconteceu nas proximidades do ramal do Procópio.

 

Segundo informações dos Bombeiros, as três vítimas fatais estavam num táxi modelo Chevrolet Cobalt, placa PHH-6644, que fazia parte da Rádio Táxi Manauara.

 

Ainda conforme a corporação, o motorista do micro-ônibus dirigia em alta velocidade no sentido Itacoatiara, quando tentou desviar de um buraco na via. Ele perdeu o controle da direção e acabou atingindo fortemente o táxi, que trafegava no sentido oposto.

 

 

Sem respostas

 

A equipe de reportagem percorreu 30 quilômetros da estrada e constatou o desgastes na pavimentação e a inexistência de placas indicativas, as poucas que existem ficam escondidas em meio à vegetação, além da ausência da pintura de faixas na pista - fatores que colocam em risco a vida de motoristas. Até a publicação desta matéria, a Seinfra não se pronunciou sobre o assunto.

Tag's: ESTRADA, MORTE, 2018, AMAZONAS

Fonte: Em Tempo

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