Sexta-Feira, 24 de Novembro de 2017 às 08:53 - Atualizado em Sexta-Feira, 24 de Novembro de 2017 às 09:37

Sepultura nazista revela projeto secreto de colonização alemã na Amazônia

Um pequeno cemitério isolado que fica a mais de uma hora e meia de barco da sede do município de Laranjal do Jari, no extremo Sul do Amapá, guarda resquícios da história que relembra uma expedição da Alemanha Nazista na floresta amazônica na década de 1930.

A cruz destacada com uma suástica tem quase três metros e atrai até mesmo quem vê de longe, navegando pelo rio Jari, único acesso à área. Nela está escrito em alemão "Joseph Greiner morreu aqui de febre em 2 de janeiro de 1936 a serviço da pesquisa alemã". Segundo historiadores, Greiner era integrante da comitiva alemã que por quase dois anos atuou na Amazônia.

O objetivo da Alemanha de Hitler era implantar uma colônia na América do Sul, a exemplo das Guianas Inglesa, Suriname (Holanda) e Guiana Francesa. O plano não continuou, mas ao longo de 17 meses, a pesquisa levantou informações sobre fauna, flora e a cultura indígena. Registros em imagens feitos à época mostram a relação com a tribo aparai.

"A França na época era arqui-inimiga da Alemanha, desde a Primeira Guerra Mundial. Tinha todo um rancor ainda pela França. Então possivelmente o interesse deles em chegar à Guiana era uma futura invasão no caso se eles entrassem em conflito", contou Edivaldo Nunes, historiador da Universidade Federal do Amapá (Unifap).

Greiner morreu de uma febre não especificada durante a expedição. Ainda segundo estudos e um livro alemão sobre o assunto, ele era capataz da tropa e morava no Brasil antes de ser recrutado pelo governo alemão. O objetivo era que ele facilitasse a comunicação.

"Ele veio ainda adolescente pro Brasil, com 15 anos. Não se tem uma idade exata, mas ele tinha mais de 30 anos quando faleceu em janeiro de 1936. Ele era uma pessoa que não tinha família, não era casado, era solteiro, e não deixou filhos também", completou Nunes.

O local onde ele foi enterrado fica próximo à cachoeira de Santo Antônio, que abriga a hidrelétrica de mesmo nome. Após o sepultamento no local, a área foi usada como cemitério por comunidades na região. A cruz resiste ao tempo e aos efeitos da natureza e permanece de pé.

Morador da região há mais de quatro décadas, o aposentado Raimundo Nonato Farias, de 75 anos, disse ter pouca informação sobre a atividade nazista na área. Ele tem a esposa, filha e neta enterradas no cemitério e não vê qualquer preocupação com o fato de um alemão estar sepultado.

"A morte em todo canto ela 'tá', né? E onde ela chega, quando o 'mestre' lá em cima chama, feliz daquele que ainda vai para debaixo do chão, né? Então isso aí é uma coisa que a gente não pode ter preconceito, de maneira nenhuma", completou Farias, que vive na vila de São José.

Morador da região há mais de quatro décadas, o aposentado Raimundo Nonato Farias, de 75 anos, disse ter pouca informação sobre a atividade nazista na área. Ele tem a esposa, filha e neta enterradas no cemitério e não vê qualquer preocupação com o fato de um alemão estar sepultado.

"A morte em todo canto ela 'tá', né? E onde ela chega, quando o 'mestre' lá em cima chama, feliz daquele que ainda vai para debaixo do chão, né? Então isso aí é uma coisa que a gente não pode ter preconceito, de maneira nenhuma", completou Farias, que vive na vila de São José.

Fotos antigas:

 

 

Tag's: Amapá, Sepultura, Nazista

Fonte: Globo.com

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